
Embora não seja muito comum no Brasil o colecionismo vem crescendo por essas bandas. Sempre gostei de coleções e itens colecionáveis, embora
apenas uma vez colecionei a sério. Como diria o
Juliano hoje eu não coleciono, apenas junto coisas. A Séfora também tem seus itens que ela junta em sebos, brechós e bazares. Alguns disputados a tapas comigo. Disputas em que eu sempre saio perdendo. Mas continuemos...
Recentemente a Séfora conheceu a Renata Lima que talvez seja a maior especialista em coleções do Brasil. Ela pesquisa itens colecionáveis a mais de 30 anos e faz parte do Instituto de Pesquisa do Colecionismo. A partir deste encontro pedi a Séfora que perguntasse se ela poderia nos ceder uma entrevista. Ficamos felizes quando ela aceitou o convite. Então aqui está a nossa primeira entrevista:
Cuxaxo: O que a levou a trabalhar com colecionismo?
Renata Lima: Na realidade foi uma fatalidade. Com 11 anos perdi meu pai na época eu morava em Cruzeiro Estado de São Paulo. Ele deixou para mim uma belíssima coleção de documentos de Escravos, Cartas de Alforria, Fotos, documentos de compra e venda etc., Como eu já estava na época de procurar uma cidade grande para dar continuidade aos meus estudos fui morar no Rio de Janeiro com minha mãe na casa de minha avó. E foi com 11 anos que eu descobri o fascínio do colecionismo. Ao Colocar um anuncio no Jornal da venda dos meus documentos, conheci um senhor chamado Hamadam, que comprou meus documentos, para a sua coleção. Foi através deste senhor que descobri que o colecionismo existia no mundo inteiro e há mais de dois séculos já era comercializado nos países do primeiro mundo.
Cuxaxo: Da para viver exclusivamente de coleções? É um bom negócio no Brasil?
Renata Lima: Bem, esta é uma resposta complexa: primeiro vamos entender que colecionismo não abrange apenas o ato de colecionar. Colecionismo as culturas; transmite tradições e tem interfaces com as demais ciências como: Marketing, jornalismo, História, enfim. Vivo do comércio do colecionismo em todos os seus aspectos como, por exemplo, faço vitrines temáticas, dou palestras por todo o Brasil, escrevo a história de Empresas antigas, e claro compro e vendo peças para colecionadores. No Brasil agora existe sim um bom comércio, começado por mim e pelo Sr. Ramadam. No site do
IPC Instituto de Pesquisa do Colecionismo você vai encontrar um pouco desta história.
Cuxaxo: Qual o país que tem maior tradição em colecionismo? Quais as diferenças entre o mercado destes pais e o mercado Brasileiro.
Renata Lima: Inquestionavelmente Os Estados Unidos detém o maior numero de colecionadores, com grandes lojas, feiras, muitos livros e revistas que com isto mantém uma tradição do colecionismo tão antiga quanto à descoberta do pais. Para o Norte Americano colecionar é um investimento econômico e cultural. Agora por exemplo com a instabilidade financeira, grandes investidores estão apostando no colecionismo como forma de investimento, assim fizeram seus avós na grande quebra da bolsa em 1929 e também no pós segunda guerra em 1945.

Em seguida vem a Inglaterra e a Europa de um modo Geral. Sendo assim da para você entender a diferença entre um povo que coleciona por tradição há séculos e o Brasil que ainda esta engatando.
Para você ter uma Ideia a primeira revista no Brasil a tratar do colecionismo em geral foi criada por mim, A primeira grande loja também, que existiu no Rio em Copacabana durante 15 anos, o primeiro site também criado por mim existe até hoje e continua crescendo é o
IPC Instituto de pesquisa do Colecionismo. Por aí você pode ver como estamos engatinhando mas já da para notar um grande avanço na visão do colecionismo como a expressão de uma arte com um cunho cientifico e não uma simples brincadeira de crianças ou um hobby de pessoas esquisitas.
Cuxaxo: Qual a situação mais engraçada que já passou para conseguir um item de coleção?
Renata Lima: Neste caso eu não tenho uma experiência minha, não sou colecionadora de nada sou especializada na cultura do colecionismo e suas interfaces. Durante minha trajetória nesta profissão vi muitos colecionadores passarem por situações engraçadas, como por exemplo: dormir na porta de alguém que estivesse fazendo faxina em um porão para serem os primeiros a remexerem o lixo e encontrar raridades. Quero lembrar aqui que estou falando de senhores, senhoras, médicos, juízes, empresários, celebridades e muito mais. A Arte de Colecionar não faz distinção sócio econômica, em um encontro de colecionadores isto fica bem visível.
Cuxaxo: Qual o item mais raro e/ou mais cara que já encontro te hoje?
Renata Lima: Esta é uma pergunta interessante e requer um grande entendimento da imensidão do colecionismo. Trabalhando nesta profissão há mais de 20 anos pude agenciar grandes colecionadores em diversos leiloes na Inglaterra, Estados Unidos, França, Argentina, Uruguai e mesmo no Brasil.
Na Inglaterra, por exemplo, fui para uma casa de leilão comprar para um cliente colecionador de São Paulo um raro cartaz do Charlie Chaplin cujo lance mínimo era de 50 mil dólares, por questões éticas não vou mencionar aqui o valor final mais tenha certeza passou do preço de dois bons apartamentos.
Esta questão de mais raro e mais caro é complicada, por exemplo, você já parou para pensar que um quadro de Picasso, Van Gog etc. não passam de mais um item de coleção? Colecionar não se restringe a selo, moeda ou figurinhas. A Rainha da Inglaterra possui uma grande coleção de jóias, o Museu do Louvre na França guarda a maior Pinacoteca do mundo (coleção de quadros).
Quando ampliamos nossa visão de colecionismo é que podemos entender como é grande a arte de colecionar.
Cuxaxo: Qual o item ou coleção mais estranho que já viu ou conheceu no Brasil?
Renata Lima: A coleção mais estranha que já vi e ajudo a completar é a de um médico no Rio de Janeiro, ele coleciona tudo ligado a osso, caveiras etc.
Cuxaxo: Você procura itens para outros colecionadores sobe encomenda? Se sim, qual item deu mais trabalho parara conseguir?
Renata Lima: Trabalho de varias maneiras: Tenho uma carteira de clientes que já passa de 2000 pessoas e busco quilo que sei que eles procuram, dou consultoria sobre como adquirir, manter, expor, avaliar ou conservar as coleções, compro peças colecionáveis para colocar em leiloes reais ou virtuais como o Mercado livre, compro e vendo em feiras, busco novidades, sempre freqüento brechós etc.
Quando ao que me deu mais trabalho é sempre difícil achar um item especifico.
Cuxaxo: O mercado de colecionismo no Brasil sofreu alguma mudança depois do surgimento dos sites de leiloes, como o Mercado Livre?
Renata Lima: O mercado do colecionismo vem crescendo muito e foi justamente o contrário, este crescimento que fez com que o mercado livre acrescentasse a menos de sete anos itens de coleção.
Cuxaxo: Qual a sua opinião sobre os sites de leiloes? Ainda é possível encontrar boas oportunidades?
Renata Lima: As boas oportunidades para os colecionadores sim estão nos leiloes, porém para os comerciantes as boas oportunidades são as vendas e não as compras.
Cuxaxo: Você além de trabalhar com coleções possui uma coleção própria? Qual o tema?
Renata Lima: Não possuo uma coleção própria porque não coleciono nada. Tudo que adquiro é para fornecer aos colecionadores, pesquisadores, historiadores, vitrinistas e muitos outros interessados.
Cuxaxo: Você já pegou algo interessante no lixo? Era raro? Valeu a Pena?
Renata Lima: Normalmente o lixo vale à pena, boas coisas são jogadas fora e não é só no Brasil, o Lixo dos estudios de Hollywood, por exemplo, é tratado como uma empresa onde as pessoas fazem fila para coletar peças de atores, de cenários etc.