Sabe aquela constante nuvenzinha negra que acompanha a mente quando você começa a pensar demais?Estive lendo um dos itens do post do Voyage: Tem poucos amigos, todos nerds.
Pois bem, é verdade.
Sei que é realmente muito sedutora a idéia de sair por ai feliz da vida para fazer "programas sociais" com um bando de amigos engraçados, sorridentes e “bonzinhos”. É mesmo muito divertido e tudo mais. Quem é que não faz isso de vez em quando?
É claro que ninguém vai se isolar do resto do mundo, não é isso. O fato é que vejo essas amizades como bolhas de sabão: Lindamente coloridas mas que não resistem a um leve toque.
Como disse um amigo meu esses dias:
“Eu já pensei muito nisso, na hipocrisia do brasileiro. E isso é muito forte. Na amizade também. Principalmente quando converso com estrangeiros que visitaram e outros que moraram no Brasil. O brasileiro tem essa fama de aberto, receptivo, amigável e o escambau. Essa é sempre a primeira impressão e a maioria dos gringos cai nessa direitinho. os que passam um tempo maior, começam a sentir na pele que a palavra "amizade" no Brasil não tem peso algum. (é claro que há exceções como a toda regra.) eles têm os "amigos" pra sair pra balada, pra tomá umas pinga, e etcs. mas quando precisam de um amigo mesmo, quando têm um problema, os "amigos" tiram o cu da reta e os deixam sozinhos pra que se virem... acontece MUITO isso... quando os próprios "que se dizem amigos" não cheguem ao ponto até de roubar algo do coitadinho do gringo que caiu na rede.”
E é a pura verdade (não faço idéia de como seja em outros países) Mas no Brasil a palavra amigo se tornou algo banal. As pessoas chamam de amigo o guarda, o motorista do ônibus, e até um estranho para quem pedem uma informação.
Outro problema é confundir amizade com chance de se dar bem, o tal do networking que é aquilo que os "bem sucedidos", professores de empreendedorismo (quando não estão falando sobre paradigmas) e autores de livrecos de auto-ajuda chamam de usar sua redes de contato para conseguir uma colocação. No âmbito das amizades seria algo como se aproveitar da carência afetiva das pessoas, fazendo-se passar por uma pessoa legal, para conseguir um emprego. (Triste isso)
E tem aquele tipo de amigo que todos adoram: O mais legal da turma, o mais esperto, carismático, o mais prestativo, idolatrado, salve! Salve! Aquele acima de qualquer suspeita, que todos acham que podem contar com ele pra tudo.
É aquele que sempre tem uma palavra de apoio, um elogio pra todos. Que não esquece o aniversário de ninguém que vai a todas as festas, que nunca diz não.
Se você o chama pra ir a Lua ele responde:
-Claro que sim! Só vou ali pegar meu capacete lunar na casa da minha avó e já volto.
E três dias depois que você voltou da lua, o encontra na rua e ele diz (antes mesmo que você pergunte por que ele não foi):
-Puxa! Eu queria tanto ter ido com você, mas a minha avó escorregou da cadeira enquanto tentava alcançar meu capacete que estava em cima do guarda roupa e quebrou a perna. Aí tive que levá-la ao hospital...
Depois de anos e anos de convívio e observação com alguns exemplares desse tipo, acabei concluindo que: “Quem é amigo de todo mundo não é amigo de ninguém!”
Acontece que a maioria das pessoas não quer saber de nada difícil, muito menos um amigo difícil. Todos querem alguém “normal” para ser amigo. Porque querer um amigo problemático? Mas a coisa não é tão simples assim. Tem a questão da afinidade.
Conheço muita garota (sim, isso acontece especialmente c mulheres) super boazinhas e prestativas (não estou sendo irônica), mas que ninguém suporta, que não consegue ter um amigo! Estranho isso não?
Lembra-me a Rosa do Pequeno Príncipe. Ela era, vaidosa, egoísta, arrogante, pretensiosa e tudo de mais chato que se pode ser, mas era especial... Era única, importante. Enquanto as outras apesar de bonitas eram vazias.
“...E as rosas estavam desapontadas.
- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa...”
Amigo dá um trabalhão... Fala coisas que você não quer (mas precisa ouvir). Às vezes te machuca sem querer, mas passado o tempo de cicatrização da ferida tudo volta ao normal.
A verdadeira amizade é aquela que não acaba por causa dos defeitos e implicâncias do outro. As brigas que acontecem numa amizade muitas vezes são uma espécie de grito silencioso... Que na maioria das vezes quer dizer: Eu me importo com você!
Porque eu gastaria meu tempo com quem não é importante pra mim?
Amigo é aquela pessoa que te conhece profundamente, que só de olhar pra você consegue entender como está se sentindo. Que pode mandar você embora sem a menor cerimônia e que às vezes pode até te mandar pros quintos dos infernos sem que se rompa a amizade.
Amigo é aquele que mora em seus pensamentos, aquele de quem você está sempre se lembrando nas mais diversas situações . Ou matematicamente falando: Amigo é uma constante enquanto as outras pessoas são variáveis.
É aquela pessoa que você pode passar anos sem ver, mas que ao reencontrar tem assunto que tende ao infinito. E se essa pessoa aparece de surpresa você não acha ruim, pelo contrário abre um enorme sorriso e mesmo que ela fique horas e horas você sempre quer que fique “só mais um pouquinho”.
Amigo é a melhor coisa do mundo!! Difícil é achar algum que preste.












Isso mudava os planos. Para ela uma fantasia de Nazgul não é a melhor opção. Algo maior deveria ser feito. E lá foi ela toda faceira se fantasiar de hobbit com direito a pé peludo , cabelos cacheados e bochecha rosada. A projeção seria no sábado de manhã e na sexta ela teve que ir à cabeleira pra cachear os cabelos. Tive que viajar para SP com uma maluca com uma touca de redinha esquisita.








